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SENECA - Campinas - 7, 8 e 9 de Maio de 2004 |
| Sr. Mirko Lerotic Filho Federação Anarquista de Capoeira Angola (F.A.C.A.) Carta de aceite Temos a satisfação de comunicá-lo que o trabalho Uma organização federativa libertária na capoeira, enviado por V.Sa. foi aceito com os pareceres abaixo: PARECER: O trabalho se insere na temática da organização social e aponta uma perspectiva “libertária” para a capoeira, a partir do Anarquismo. Trata-se de uma importante contribuição no processo de democratização social à medida que faz um contraponto às formas hegemônicas de organização social no contexto da capoeira hodierna. Embora não escape às exigências normativas que a sociedade impõe a todos e com todos, o trabalho tem um intencionalidade de se contrapor a essa determinação. O trabalho apresenta dados e reflexões importantes e merece atenção da comunidade científica. Considero-o aprovado e recomendo a sua apresentação. Meu parecer é positivo. O pôster apresenta uma proposta alternativa de cunho anarquista muito bem estruturada para a organização da capoeira Angola, a Federação Anarquista de Capoeira Angola. |
UMA ORGANIZAÇÃO FEDERATIVA LIBERTÁRIA NA CAPOEIRA Mirko Lerotic Filho [membro da Federação Anarquista de Capoeira Angola (F.A.C.A.) desde sua primeira reunião nacional. Tomou contato com a Capoeira Angola em Belo Horizonte em 2001, através do processo terapêutico Somaterapia, em grupo coordenado por Rui Takeguma. É profissional de informática desde 1986.] INTRODUÇÃO A Federação Anarquista de Capoeira Angola (F.A.C.A.) foi criada em 2002 por capoeiristas das cidades de São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte. Todos os seus integrantes, num primeiro momento, participaram da técnica da Somaterapia e almejavam, com a FACA, potencializar a vivência e a produção da Capoeira Angola através do Anarquismo. Sob uma perspectiva histórica, seu nascimento pode ser entendido como uma extensão natural da utilização da Pedagogia Libertária (auto-gestão) na pesquisa da Capoeira Angola, pesquisa essa efetuada pelos Coletivos de produção relacionados com a Somaterapia desde 1995 até o presente, passando pela criação dos grupos Iê em São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba. OBJETIVOS Com a criação da FACA, objetivamos fundamentalmente o aprendizado, a vivência e a produção da capoeira angola de acordo com nossos referenciais políticos de vida, isto é, a liberdade proposta pela ideologia anarquista. Almejamos apreender a capoeira angola tradicional, valorizando seus rituais. Buscamos referências a todo momento em Mestres que queiram colaborar com a nossa proposta, acima das competições políticas dos grupos / associações / federações / ligas / fundações de capoeira. METODOLOGIA Depois de diversas conversas e encontros iniciais, fizemos nosso 1o encontro nacional (de onde saiu o nome FACA) em março de 2002, em Belo Horizonte. Após dois anos de existência, vivemos a Federação como uma instância dupla: ENCONTROS e PRODUÇÕES. Os encontros têm variado entre Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte, com uma periodicidade média de quatro meses. Nesses encontros debatemos as conjunturas regionais (problemas e soluções locais) e trocamos experiências teóricas e práticas exercitando a sinceridade e abertura, ideais de nosso modus vivendi. Organizamos ainda diversas rodas e algumas oficinas, todas elas abertas ao público. As produções são propostas e acontecem dentro e fora dos encontros nacionais; até agora, produzimos diversos textos; registramos em nosso quarto encontro nossa musicalidade em um CD gravado em estúdio, com boa repercussão; estamos finalizando um CD duplo e ao vivo do nosso encontro mais recente (o sétimo), com a presença de Mestre Ananias (79 anos-SP), Mestre Primo (40 anos-MG), Rui Takeguma (34 anos-SP) e Cenorinha (30 anos-SP), no lançamento do Projeto Memória da Capoeira. RESULTADOS E DISCUSSÃO Observamos reiteradamente que a forma anarquista de vivência e produção aplicada à capoeira angola não se justapõe ao seu caráter tradicional. Sobre o tema "tradição", observamos e entendemos que a forma de organização dos grupos de capoeira reflete muito mais sua sociedade contemporânea do que as tradições culturais. Com essa ressalva buscamos a capoeira angola assim chamada "tradicional" através da pesquisa e da cooperação com referências do mundo da capoeira. O modo de produção anarquista representa um ideal de vivência e produção que nem sempre é alcançado na prática. O anarquismo não embute em si normas rígidas de vivência, mas somente o estabelecimento de regras (quaisquer) pelo consenso entre pessoas. Assim, observamos que a dinâmica de uma reunião ou uma produção depende fundamentalmente da capacidade de cada integrante em exercitar sua sinceridade e comunicar plenamente seus interesses individuais, para que estes sejam ou não (caso da secessão) compatibilizados pelo grupo fazendo-se uso constante da criatividade. Dessa forma, quando um ambiente torna-se assim favorável, a hierarquia torna-se dinâmica - o caráter crítico aguçado de cada integrante avalia lideranças que surgem a todo instante de acordo com as competências individuais, ao contrário de um sistema autoritário onde liderança equivale-se, na prática, a ter a chamada "palavra final" em TODOS os aspectos. CONCLUSÃO A FACA é um microcosmo de experiência libertária, como uma possibilidade de inserção alternativa à sociedade autoritária e injusta em que vivemos. PALAVRAS-CHAVE Capoeira Angola, Anarquismo, Pedagogia Libertária BIBLIOGRAFIA FREIRE, Roberto. Pedagogia Libertária. São Paulo: Sol & Chuva, 1996. PROUDHON, Pierre-Joseph. Do princípio federativo. São Paulo: Imaginário, 2001. TAKEGUMA, Rui. Capoeira angola e pedagogia libertária. Para a Oficina de mesmo nome realizada no Encontro Internacional de Cultura Libertária, ocorrido na UFSC em 2000. Disponível em http://somaterapia.vilabol.uol.com.br/artigos14.html. Acesso em 16 de abril de 2004. FACA. Manifesto: terceiro encontro da Federação Anarquista de Capoeira Angola, agosto de 2002. Disponível em http://f-a-c-a.vilabol.uol.com.br/3sampa.html. Acesso em 20 de abril de 2004. CONTATO DO AUTOR Mirko Lerotic Filho Rua Castro Alves, 654 / Ed. Rubi / Ap. 84 Aclimação São Paulo - SP 01532-000 (11) 3209-1065 mirkolerotic-faca@yahoo.com |