01 -  I SENECA - ANEXO RESUMO II

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SOMAIÊ e CAPOEIRA ANGOLA

Rui Takeguma[1]

INTRODUÇÃO

A Somaterapia é um conjunto de práticas terapêuticas em grupo criada a partir de 1970 por Roberto Freire. Em seus dias iniciais, aliava o uso de dinâmicas dirigidas, adaptadas de diferentes vertentes como as análises Reichianas fundamentadas na noção de Gestalt e Bioenergética, aliada à horizontalidade nas relações, marca do sistema político anárquico. Visando reforçar o processo de desbloqueio da assim chamada couraça neuro-muscular do paciente, fonte do que se convenciona chamar de neurose, Freire pesquisou a aplicação de diferentes atividades corporais no processo terapêutico a partir e durante a década de 1980. Nessa época praticou capoeira com mestre Almir (hoje, Anand) das Areias. A partir de 1990, Freire, entendendo que a Capoeira Angola reunia as características mais adequadas para o processo terapêutico, radicalizou a pesquisa nessa direção, o que acabou resultando no seu afastamento de todos os terapeutas formados, começando daí uma nova equipe. Neste contexto Rui Takeguma aliou-se a Roberto Freire e outros, desenvolvendo-se não só nas práticas terapêuticas da Somaterapia como também na Capoeira Angola, tanto como praticante mas também inserindo-se no universo político da capoeiragem, ao contrário de seus colegas de trabalho. Rui Takeguma coordenou atividades com centenas de pacientes em quatro estados brasileiros por onze anos sob a supervisão direta de Roberto Freire. A partir de 2001, Takeguma desligou-se de seu grupo de trabalho original e mantém uma pesquisa independente, com novos companheiros, sobre os benefícios terapêuticos da Capoeira Angola, agora chamando a técnica de SOMAIÊ, não mais Soma.

OBJETIVOS

A pesquisa permanente da Capoeira Angola nasceu como um reforço prático às teorias libertárias da Somaiê. Visa-se a libertação do indivíduo frente às relações sociais. Acreditamos que, de acordo com a educação recebida, o ser humano adquire formas de defesas que podem se cristalizar, tanto no corpo como no comportamento, e que nesse estágio paralisante são geralmente denominadas neuroses. As neuroses podem também ser entendidas como modos de viver que consomem um excesso de energia vital. Ao longo dos anos, pesquisamos diversas formas de aplicação da Capoeira Angola no processo terapêutico.

METODOLOGIA

De início introduzimos a obrigatoriedade na prática de capoeira angola paralelamente ao processo terapêutico, que dura de quinze a dezoito meses. O cliente era orientado a buscar grupos existentes em suas cidades. Nessa mesma época, introduzimos uma sessão específica de Capoeira Angola dentro das quatro vivências mensais da terapia.

À medida em que os somaterapeutas aumentaram sua competência na prática e teoria da capoeira angola, passaram a assumir também a função de professores de capoeira. Neste momento fundamos grupos de capoeira angola em autogestão, aliando a pesquisa do aprendizado da capoeira angola à pesquisa da pedagogia libertária aplicada à capoeira.

RESULTADOS

Observamos reiteradamente que a prática da Capoeira Angola serve como um excelente processo de identificação das neuroses, a partir da observação comportamental da atuação do cliente nas diversas etapas na produção de uma roda de Capoeira Angola. A prática também produz um desbloqueio ativo muscular/comportamental no cliente. Reiteradamente observamos que o cliente adquire energia associada ao que denominamos agressividade, em outros termos um vigor extra que potencialmente pode ser direcionado na superação de seus problemas psicológicos. Entendemos também que as questões políticas do RITUAL da Capoeira Angola ampliam tremendamente as possibilidades terapêuticas / pedagógicas, pois como um processo ARTÍSTICO, promove uma ‘educação pela arte’ desenvolvendo a sensibilidade e criatividade.

CONCLUSÕES

A cada grupo que completa sua terapia, percebemos a validade da aproximação psicologia/somaiê com a cultura popular/capoeira angola.

PALAVRAS-CHAVE

Capoeira Angola, Somaterapia, Pedagogia Libertária

REFERÊNCIAS

FREIRE, Roberto. Soma, uma terapia anarquista. Volume 2. Rio de Janeiro: Guanabara, 1992.

TAKEGUMA, Rui. Capoeira angola – arte da liberdade. Revista Libertárias, n. 2, p dezembro 1997. Texto integral disponível em http://somaterapia.vilabol.uol.com.br/artigos9.html. Acesso em 16 de abril de 2004.

TAKEGUMA, Rui. Capoeira – qual é a sua?: angola, regional ou contemporânea. Disponível em http://brancalulaleone.vilabol.uol.com.br/qualeasua.html. Acesso em 16 de abril de 2004.

CONTATO DO AUTOR

Rui Takeguma

r. Faustolo 604/36 Vila Romana SP-SP

(11) 3864-7046     somaterapia@uol.com.br      www.soma.pagina.de


[1] Desde 1993, Rui Takeguma vem publicando textos sobre sua pesquisa com a capoeira angola, disponibilizados na internet. Pretende em 2004 publicar uma coletânea desse material, e em 2005  publicar um livro com a pesquisa completa e detalhada, contendo 15 anos de pesquisa própria. É professor do Grupo Anarquista Iê de Capoeira Angola de SP.


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